sábado, 4 de maio de 2019

04.05.2019 Resenha sobre o artigo: O futuro da educação em uma sociedade do conhecimento: o argumento radical em defesa de um currículo centrado em disciplinas - MICHAEL F.D. YOUNG, 2010.



         A leitura deste artigo, que defende um argumento radical em defesa de um currículo centrado em disciplinas, foi muito pertinente, principalmente no momento atual. O debate é amplo na sociedade e no âmbito político a respeito de qual o melhor caminho a educação deve seguir, para que de fato possamos mudar as persistentes desigualdades sociais e evasão escolar no Brasil.
 O artigo de Michael F.D. Young, é pautado em argumentos muito bem embasados, que nos levam a reflexão, a concordar e a discordar, mas principalmente a refletir sobre o futuro da educação.
O autor se refere a um "currículo baseado em engajamento", e não "em acatamento" tendo como ponto de partida o conhecimento. O foco principal para a construção do currículo, é o conhecimento, e não o aprendiz e seu contexto social. Tal posicionamento, entra em colisão, com outras teorias educacionais, como a de Paulo Freire, por exemplo, e nos faz repensar quais alternativas de fato possuímos. Destaco outro ponto, os exemplos citados por Young, são de Londres, e remetem as necessidades da Inglaterra, que são muito diferentes da realidade educacional brasileira, mas também refletem uma preocupação que não possui fronteiras geográficas: como promover o desenvolvimento intelectual de jovens?
Para Young, o currículo não deve ser utilizado como um instrumento para motivar os estudantes a aprender, mas deve se referir ao conhecimento que um país considera importante que esteja ao alcance de todos os estudantes, argumento com o qual concordo. 
Neste artigo o autor diferencia, currículo, de pedagogia e delega aos professores a tarefa de motivar os estudantes e transformar conceitos em realidade para os alunos, ponto com o qual discordo, pois apesar das formas de mediação serem propostas pelo professor, a forma como o currículo é construído impacta a prática docente, uma vez que não há neutralidade na docência.
Outra distinção proposta pelo autor é em relação a conceitos teóricos e conceitos cotidianos. Uma vez que os conceitos teóricos originam-se em comunidades de especialistas, centralizar o currículo em disciplinas seria proporcionar maior acesso aos estudantes a esse tipo de conhecimento, que só pode ser acessado no ambiente escolar. A valorização e aquisição deste conhecimento teórico, instiga os alunos a produzir novos conhecimentos além do senso comum. Penso que a educação proporciona uma visão mais ampla de mundo, e as condições sociais dos estudantes, também são relevantes e suas vivências e conhecimentos cotidianos, podem enriquecer a sua formação.

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